Imagine uma banda de Rock sem guitarra! É, nem é tão difícil imaginar. Agora imagine que o guitarrista é substituído por um saxofonista que em determinados momentos toca dois saxofones ao mesmo tempo… Ah, tá ficando mais difícil! Agora imagine uma banda em que o baixista toca um contrabaixo apenas com duas cordas na maior parte do tempo… Duas cordas? Isso mesmo, duas cordas. E as mais graves. E o mesmo baixista é, até fisicamente uma lembrança de Lou Reed dos melhores – não que Mr Reed tenha tido piores – tempos, construindo poesias com fortes e ao mesmo tempo belos conteúdos. Se imaginou o Morphine, acertou. Se não imaginou é porque não conhece o trabalho dessa extraordinariamente criativa banda.
E assim passou o tempo, a ponto de a banda ter feito uma passagem meteórica pelo planeta Terra durante 10 anos entre 1989 e 1999 e eu nem ter percebido seu brilho. Um brilho interrompido por um relâmpago chamado ataque cardíaco em pleno palco de Mark Sandman,o tal baixista das duas cordas. Um daqueles caras que parece que tem o caminho certo e traçado das estrelas, que é brilhar intensamente e extinguir, deixando a humanidade a imagem de seu brilho por milhões de anos-luz. "Morphine" é morfina, lícita droga que ameniza uma dor. Um entorpecente musical…? Não, "Morphine" não é entorpecente, é energético, potencializador de emoção, dor á flor da pele, percepção em estado puro, onde o baixo de duas cordas cria um clima de Inferno supranatural onde as almas criativas habitam até a fim dos tempos. Um Inferno onírico e esotérico que esbarra em loucura e doença. Sem maniqueísmo nem descrença. Acordes perfeitos, percepção magnificada e modificada. Emoção Perceptiva e Percepção Emotiva.
Agora, imagine uma banda que mistura Jazz com Blues e Rock… Ah, não, essa é a definição com jeito de modernosa e de anti-definição, que críticos talvez bem informados sobre música dão, querendo parecer que estão desrotulando, o som do Morphine. E se alguma definição cabe ao Morphine é apenas: "Percepção Emocionada", já que a ter percepção, modificada com fatores químicos ou não, é fácil. Agora transformar percepção em emoção é outra coisa. Abrir a porta da percepção é fácil, difícil é traçar o caminho que existe além dela.
Texto de autoria de Barata Cichetto, publicado e na íntegra no site A Barata e no blog Lágrima Psicodélica, onde encontrarão a discografia completa para download.
Vik Muniz é um artista plástico brasileiro, radicado em Nova York. O que mais chama atenção em seu trabalho é a junção da criatividade, humor e o inusitado.
O vídeo abaixo mostra uma apresentação sua no TED em 2007, exatamente falando sobre a tríade acima citada.
Muitos dizem que estamos próximos de interagir como no filme Minorithy Report.
O vídeo acima mostra que a tecnologia está muito, mas muito mais avançada.
Com certeza os profissionais de comunicação de hoje, são (e devem ser) mutantes ou camaleões, pois, acompanhar, entender e utilizar tais ferramentas é uma tarefa bem árdua.
PRESTO BALLET, banda americana de metal progressivo capitaneada pelo guitarrista Kurdt Vanderhoof, da clássica e lendária banda de heavy metal dos anos 80 METAL CHURCH.
Trata-se de uma grata surpresa para estilo, com um som próprio, que mesmo notando-se algumas influências de YES e KANSAS não perde a identidade, a qualidade lírica e musical. Ao ouvir Presto Ballet, você notará guitarras calcadas nos anos 70, melódicas e que passeiam em suas notas, não há virtuose e extremismos.
Infelizmente seus dois álbuns: Peace Among The Ruins e The Lost Art of Time Travel não foral lançados aqui no Brasil, ambos sem exageros são ótimos, daqueles que se escutam do começo ao fim sem pular nenhuma faixa.
Fica aí a dica, vale a pena desembolsar alguns reais (dólares) para ter em sua coleção.
Falar de José Saramago é algo um tanto perigoso. Tudo que já li sobre o autor e sua obra, em sua maioria vem carregado de um sofisma exacerbado.
Aqui nesta coluna, só escrevo sobre livros que já li ou estou lendo e quando me da vontade.
Meu mais novo filhote literário é Caim, lançado recentemente e que me foi presenteado por duas pessoas que estimo e tenho grande apreço.
Pelo pouco conhecimento que tenho da obra deste senhor, não há dúvidas que se trata de mais um grande sucesso, que nos últimos anos o mesmo parece ter renovado sua fonte criativa.
Em Caim, Saramago recria sua versão do Antigo Testamento em tom sarcástico, apontando Deus como responsável por vários equívocos e de pouca ou nenhuma benevolência.
Caim é a personagem principal desta estória, o qual após matar Abel seu irmão, convence Deus de ter parcela de culpa no ato, mas que ganha deste uma marca em sua testa, a qual garante que não poderá ser morto, tornando-se um ser errante que vaga entre fatos do presente, passado e futuro.
Saramago sabe como poucos criar uma estória, uma narrativa convincente, um diálogo ácido e reflexivo, mesmo que para isso ele escancare um Deus, que para muitos ainda é a verdade absoluta e intocável.